José Medrado
Blog de José Medrado, presidente da Cidade da Luz.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Um amigo inglês, que conheci no Arthur Findlay College, na Inglaterra, me escreveu parabenizando porque o Brasil ultrapassou o Reino Unido e se tornou a 6ª maior economia do mundo, de acordo com dados do Centro de Economia e Pesquisa de Negócios (CEBR, na sigla em inglês). No entanto, ele disse que não entendia como essa posição brasileira não refletia, por parte do governo, em apoio incondicional a instituições que mantinham abrigos para crianças, por exemplo, ou mesmo um sério trabalho para erradicação do turismo sexual que assola o Brasil. Sempre que estou por lá, há uma curiosidade muito grande em relação às questões associadas a desenvolvimento da educação, apoio a crianças, velhos. O estrangeiro, de um modo geral, não consegue entender como Salvador, ou mesmo a Bahia, já que falo das minhas vivências sociais daqui, não têm abrigos governamentais para crianças em situação de risco social ou mesmo para adoção e que os existentes eram, em geral, de iniciativa filantrópicas, e por que não contamos com o apoio preciso, pronto dos governantes, pois tudo sempre é muito difícil para se conseguir junto a essas instâncias.
Os nossos governantes ainda pensam que ajudar as instituições que prestam serviços sociais é um favor. Ainda não há a conscientização dos eleitos por nós da sua obrigação, que não seja a ditada pelo interesse eleitoreiro. Infelizmente, também, alguns dirigentes filantrópicos alimentam esta postura, não reagindo, ficando na sombra do receio de retaliação e do medo de se perder o pouco que ganham.
Foi, então, que respondi a ele dizendo que, apesar dessa posição, o Brasil, no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), foi classificado na 84ª posição entre 187 países avaliados pelo índice, ficando atrás do Chile, 44ª; Argentina, 45ª; Uruguai, 48ª e mesmo de Cuba, 51ª, mas que alguns segmentos, principalmente o político, estavam orgulhosos com isso e eu pensava que o povo também. Esse meu amigo me respondeu ao e-mail simplesmente com duas palavras: “Silly people” – povo bobo.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Lá atrás, por volta do ano 2000, um orador espírita em informal conversa, onde eu estava, disse que achava que Chico Xavier deveria não mais aparecer em público, pois as pessoas poderiam questionar acerca da proteção espiritual dele. Ficou ali clara a ideia de que os médiuns precisam passar a imagem de infalibilidade, de proteção fora da realidade, ou seja, privilégio de proteção, distinção, mais uma vez ficou patente a comum tentativa de religiosos, de uma forma geral, de passarem a sua “patente” de semideuses, protegidos mais que qualquer um ser mortal comum.
Isso é tão velho, que se encontra lastrado desde o antigo Egito e ainda há os que pensam que podem continuar com a mesma fantasia. Ora, ora, somos todos iguais, em papéis diferentes, mas seguindo a caminhada sob o regime de justiça e direitos divinos absolutamente sem qualquer prerrogativa.
Por conta dessas distorções e insinuações nesse sentido, vemos uma distorção doutrinária extravagante e sem qualquer respaldo na lógica, no bom-senso, sendo aceita como verdade pelos iludidos de boa-fé que sentem necessidades de criar mitos e semi-deuses para seguirem.
Recentemente, por exemplo, o distinto Raul Teixeira sofreu um lamentável acidente vascular cerebral isquêmico em voo para os Estados Unidos, onde iria fazer inúmeras conferências espíritas. Raul é muito querido pela sua simplicidade, acessibilidade e dedicação à causa espiritista, mas, por conta dessa imagem equivocada de super-heróis, super-protegidos que se tem sobre os médiuns, recebi inúmeros e-mails e mensagens pelas redes sociais questionando sobre a presença, aviso dos espíritos para o querido médium, uma vez que ele é dedicado trabalhador. Nunca soube que Raul pregasse ou insinuasse qualquer coisa que se levasse a concebê-lo como especial, privilegiado. Nunca.
No inconsciente espírita, no entanto, essa imagem é forte, que precisa ser quebrada, pois totalmente mentirosa. Cada um de nós tem o seu próprio processo de vida, dentro dos reajustes a que nos propusemos antes do nosso reencarne, e, se estivermos em sintonia com os valores do conhecimento médico, seguiremos a nossa caminhada prevenindo, tratando de forma natural, como todo mundo.
Se houve a alguém algum privilégio o que pensaríamos da vida de Irmã Dulce e as suas dores físicas? E o atentado à sua vida, que o Papa João Paulo II sofreu? E a forma pela qual Gandhi morreu? Assassinado. São espíritos-referência de bondade e dedicação à causa do amor ao próximo.
Chico nos deu este exemplo, de uma vida profícua, comprometida, cheia de dores, mas em total fidelidade ao trabalho.
Não existem milagres, nem o sobrenatural em regime de privilégio a ninguém, o que há, sim, são pessoas em sintonia com o Bem, recebendo as inspirações para novas atitudes, tomada de caminhos novos, mas que cada um seguirá se quiser, pois, afinal de contas, temos o livre arbítrio.
JOSÉ MEDRADO É MESTRE EM FAMÍLIA PELA UCSAL E FUNDADOR DA CIDADE DA LUZ
Isso é tão velho, que se encontra lastrado desde o antigo Egito e ainda há os que pensam que podem continuar com a mesma fantasia. Ora, ora, somos todos iguais, em papéis diferentes, mas seguindo a caminhada sob o regime de justiça e direitos divinos absolutamente sem qualquer prerrogativa.
Por conta dessas distorções e insinuações nesse sentido, vemos uma distorção doutrinária extravagante e sem qualquer respaldo na lógica, no bom-senso, sendo aceita como verdade pelos iludidos de boa-fé que sentem necessidades de criar mitos e semi-deuses para seguirem.
Recentemente, por exemplo, o distinto Raul Teixeira sofreu um lamentável acidente vascular cerebral isquêmico em voo para os Estados Unidos, onde iria fazer inúmeras conferências espíritas. Raul é muito querido pela sua simplicidade, acessibilidade e dedicação à causa espiritista, mas, por conta dessa imagem equivocada de super-heróis, super-protegidos que se tem sobre os médiuns, recebi inúmeros e-mails e mensagens pelas redes sociais questionando sobre a presença, aviso dos espíritos para o querido médium, uma vez que ele é dedicado trabalhador. Nunca soube que Raul pregasse ou insinuasse qualquer coisa que se levasse a concebê-lo como especial, privilegiado. Nunca.
No inconsciente espírita, no entanto, essa imagem é forte, que precisa ser quebrada, pois totalmente mentirosa. Cada um de nós tem o seu próprio processo de vida, dentro dos reajustes a que nos propusemos antes do nosso reencarne, e, se estivermos em sintonia com os valores do conhecimento médico, seguiremos a nossa caminhada prevenindo, tratando de forma natural, como todo mundo.
Se houve a alguém algum privilégio o que pensaríamos da vida de Irmã Dulce e as suas dores físicas? E o atentado à sua vida, que o Papa João Paulo II sofreu? E a forma pela qual Gandhi morreu? Assassinado. São espíritos-referência de bondade e dedicação à causa do amor ao próximo.
Chico nos deu este exemplo, de uma vida profícua, comprometida, cheia de dores, mas em total fidelidade ao trabalho.
Não existem milagres, nem o sobrenatural em regime de privilégio a ninguém, o que há, sim, são pessoas em sintonia com o Bem, recebendo as inspirações para novas atitudes, tomada de caminhos novos, mas que cada um seguirá se quiser, pois, afinal de contas, temos o livre arbítrio.
JOSÉ MEDRADO É MESTRE EM FAMÍLIA PELA UCSAL E FUNDADOR DA CIDADE DA LUZ
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Governo e filantropia - jornal A Tarde (Coluna Opinião) 28.12.2011
Filantropia é uma palavra de origem grega que significa amor à humanidade, que se funde, em verdade, como a garantia de uma ação, quando verdadeira, indispensável à seguridade social, que tem como objetivo o outro, sem qualquer interesse salvo o de gerar o bem estar social de um grupo, de uma comunidade.Lamentavelmente, no entanto, estamos a cada dia vendo uma avalanche de burocráticos do serviço público, técnicos cheios de reuniões, de obstáculos ao exercício simples de ajudar ao próximo. O rigorismo para com as instituições filantrópicas, sem fins lucrativos, na conquita de apoio financeiro para a sua manutenção e/ou expansão é de uma apuração e má-vontade tão absurdas, que chegam à maldade. Todavaia, na contra-mão dos valores sociais de quem, de fato, faz, surgem os gastos supérfluos, fanfarrões da máquina pública, gerando acinte a quem procura acicatar as dores dos que ainda confiam em verdadeiras iniciativas cristãs, que guardam no benefício feito ao próximo a recompensa dos desgastes na lida com o poder público e seus “cuidadosos” agentes.
Claro que haverá de se ter rigidez com as prestações de contas das instituições filantrópicas, apurar os seus gastos, mas, por favor, respeitem quem procura fazer o bem sem a imagem de uma urna eleitoral na mente. Ainda há pessoas de boa-fé no mundo.
A ação de muitos políticos é tão nesfasta que chegar a gerar desconfiança e rejeição às instituições não-governamentais, contaminando-as com os seus desmandos e vícios. Todavia, frise-se, as organizações filantrópicas ainda mantêm a sua estrutura no ideal de servir, sem recompensa de qualquer natureza, principalmente financeira, porque geralmente nascidas de ideais estribados em sentimento de solidariedade, de buscar dos governos constituídos o que é de sua obrigação, pois essas instituições só surgem quando o Estado se omite, é ineficiente ou age com desleixo, geralmente.
O público já diz a que serve, não podendo, nunca, ser confundido com o privado, mas bem aplicado ao bem de todos.
José Medrado
Mestre em família pela Ucsal e fundador da Cidade da Luz
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
O Natal de sempre - jornal A Tarde (Coluna Religião)
O 25 de dezembro tem vários sentidos históricos, muitos afirmam que era uma data "pagã, podendo ser de origem solar... A Saturnal dos Romanos a precedia" (Nelson's Encyclopedia); ou ainda a data "da antiga festa Romana em homenagem ao Sol" (celebrando o nascimento do deus-Sol), segundo a American Encyclopedia; "A Saturnal era uma festa de prazeres desenfreados... A data do Natal foi fixada na mesma época" (M de Beugnot - História, Vol 2, pág 265); "A Igreja... voltando ao paganismo... precisava ter suas festas, e acabou por dar nomes cristãos às festas pagãs já existentes... identificando o Natal à pior das festas pagãs... fixaram para aquela data o nascimento de Cristo. (Aquela data) representava um dos piores princípios do paganismo -- o poder reprodutivo da natureza... A Igreja criou as festas chamadas cristãs, para substituir as pagãs... paganizando o Cristianismo... a fim de manter satisfeitas as mentes carnais do povo" (J. N. Darby - Col. Writtings, Vol. 29); Agostinho registrou que o povo estava tão determinado a ter festas que o clero se sujeitou a isso!Já nos dias de hoje que antecedem o Natal, ouvimos os mais variados conceitos, comentários a respeito da data. Alguns dirão que foi descaracterizado por uma invasão comercial, que só busca dar sentido capitalista, da gastança no que seria uma festa de confraternização, de solidariedade; outros dirão que não existe mais sentido para comemoração alguma, pois as famílias estão desagregadas, desconfiguradas; ainda há os que afirmam que virou uma data de celebração da hipocrisia, uma vez que muitos participam dos tais amigos secretos, mas que, em verdade, não guardam amizade alguma ao tal sorteado, muitas vezes até inimigos ocultos. E por aí vai. Realmente, todas essas considerações têm a sua extensão de verdade, mas será que, ainda assim, não vale a pena ter uma data onde, pelo menos, no ano, ficamos mais tocados para sermos sensíveis, mais caridosos?
Já em 1901, o escritor Machado de Assis, ao publicar o seu livro Poesias Completas, registrava a sua indignação com os rumos que tomavam as festa natalinas. Em o seu poema Soneto de Natal ele pergunta: Mudou o Natal, ou mudei eu?
A verdade, então, é que precisamos compreender que é da natureza social humana, com o passar do tempo, estar sempre em processo de mudança, de acordo com os novos valores de sua época, novos costumes são agregados... É a dinâmica da própria vida, e neste processo estaremos sempre perdendo e ganhando valores de comportamento, onde também estaremos sempre registrando que antigamente... no meu tempo... Ora, assim é e continuará sendo. Caberá, no entanto, a cada um de nós não deixar escapar por entre as lidas atuais os princípios de valor que julgamos essenciais ao nosso bem estar emocional.
Continua, entendo, valendo a pena desejar Feliz Natal!
José Medrado é médium, presidente e fundador da Cidade da Luz
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Política do acinte - jornal A Tarde (Coluna Opinião)
Uma amiga setuagenária, recentemente, em conversa, me disse que houve um tempo em que um político, deputado, senador era personalidade que se impunha pelo respeito, havia um certo ar de destaque, quando era anunciado. Custei a acreditar, mas ela garantiu que viveu esta época. Em verdade, no entanto, o que se estabeleceu nos dias atuais é uma conotação quase que pejorativa, em função do destroçamento ético que a maioria dos exercentes de cargos eletivos se lançam.É duro conceber, mas, em verdade, as nossas “autoridades” se revestem da ética e da moral que espelham a sociedade em que vivemos e nela se refletem. Muitos desses senhores se veem, de fato, os tais, inacessíveis, indisponíveis; servidores do povo, agem como nobres em uma monarquia.
A desfaçatez se estabeleceu de forma tão acintosa, que o presidente da Comissão de Educação da Câmara Federal é o deputado Tiririca, que quase não assumiu o mandato pela possibilidade de ser analfabeto. É fato que o seu mandato é legítimo, mas, permita-me, não o sinto representativo, pois a sua campanha foi toda calçada no deboche, na falta de compromisso com a seriedade que deveria revestir um cargo de compromisso com o povo, mas foi este povo que o deu mais de um milhão de votos. O que queixar, então? Pois é, em sessão que presidiu, leu em público: “Ignácio Kornowski, coordenador da área técnica de desenvolvimento da cultura da Confederação Nacional dos Municípios”, balbuciou Tiririca, que aproveitou para fazer graça com o sobrenome do convidado. “Kornowski, Kornowski”, repetiu, entre risos, brincando com a pronúncia abrasileirada “cornóvisque”.
Também, o que se poderia esperar em um país onde o jogador Ronaldinho Gaúcho recebe a medalha Machado de Assis, máxima honraria da Academia Brasileira de Letras, e coroa o acontecimento, após dizer que não tinha um livro preferido, com a insinuação de que pediria aos imortais dicas de leitura. Certamente iriam recomendar o livro do acadêmico José Sarney.
“Brasil, mostra a tua cara. Quero ver quem paga pra gente ficar assim. Brasil, qual é o teu negócio?”.
José Medrado
Mestre em família pela Ucsal e fundador da Cidade da Luz






