sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Gestores Públicos
(Coluna Opinião - Jornal A Tarde - 10.12.2014)

Mais um ano chega ao final, as comemorações surgem por todos os lados. As confraternizações espocam em empresas privadas e públicas, muitas, nem sempre, com real sentido, mas isto é uma outra questão. Quero, no entanto, aqui, falar da laicidade do Brasil, onde desde o advento da Constituição Federal de 1988 não há mais uma religião oficial do Estado. Causa-me, consequentemente, estranheza e espanto ao ver por aí afora órgãos públicos encerrando suas atividades, ou se confraternizando com os servidores em efemérides de final de ano com uma missa. 

Nada contra a missa em si, inclusive estou me programando para assistir a uma ministrada pelo meu pessoal amigo padre Luís Simões, da Vitória. Reporto-me às realizadas em órgãos públicos. Por obviedade, se é da União, e esta é laica, nada mais natural que o culto religioso seja geral, não o específico do seu gestor. Entendo que seja no mínimo uma velada imposição de crença, sem qualquer sentido cidadão.

Não me refiro de forma exclusiva à missa, repito, mas a qualquer manifestação religiosa que não seja ecumênica ou interreligiosa, como preferir o leitor, como forma de respeito a todas as crenças existentes no corpo funcional da empresa, como o próprio nome remete: pública. A confraternização cristã, entendo, nasce desde esse momento de escolha, em respeito pela diversidade.

Geralmente, os servidores são conduzidos a acompanhar as missas, mesmo não sendo católicos, em razão do receio de serem mal vistos, principalmente se ocupam cargos de confiança. Se não um culto comum, que se faça uma semana de confraternização, envolvendo todos os segmentos, cada um em seu dia, permitindo, assim, inclusive, que os ateus também se sintam à vontade para não ir à celebração alguma. Isso é democrático.

Vemos dessa forma que os gestores públicos ainda não entenderam que deve haver restrições às suas ações na condução do órgão, considerando que as empresas não são suas, particulares. Celebremos, ora, o plural.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Sobre o filme Irmã Dulce
(Coluna Opinião - Jornal A Tarde - 26.11.2014)

Irmã Dulce, um espírito de tamanha envergadura moral, crescido no amor e na caridade, merece todas homenagens que lhe fizerem, não para o seu  engrandecimento pessoal, ela nunca disso precisou, mas para nós, que vivemos dias desesperançosos diante da aridez dos corações humanos. Assim, exultei ao saber da concretização desse sonho, pois fui acompanhando essa materialização. Infelizmente, por outro lado, não vi nos que conduziram o projeto o tão marcante "Deus lhe pague", do nosso Anjo Bom da Bahia, a duas sonhadoras desse tento. Digo isso porque acompanhei toda a saga para a realização desse projeto: 

Tudo se iniciou quando minha amiga Ivanoy Couto, devota da Irmã, me relatou uma visão que teve com a santa, durante enfermidade de sua genitora, o que a despertou para escrever a respeito da freira. Pronto, as raízes de um ideal despontam. 

Ivanoy sonha, literalmente, assistindo ao filme. Seus textos chegam às mãos de Cláudio Pereira, sócio de Walter Salles, produtor de filmes. 

Em julho passado, Ivanoy, estimulada pela inspiração e tocada pelas forças superiores do universo, escreve a Roberto Carlos – este mesmo, o cantor. Uma prima, moradora do mesmo prédio, faz com que o rei receba a missiva. E o universo continua coma conspiração: dias depois Myrian Rios vai à casa de sua prima e toma conhecimento da carta e começa também a trabalhar pelo projeto.Myrian entra em contato com Ivanoy e ambas se reúnem com o produtor Bruno Wainer, diretor da Downtown Filmes. Ivanoy faz a ponte entre a presidente das Obras Sociais Irmã Dulce, Maria Rita, e Myrian Rios. Por fim, tudo fluiu, acertaram que a Iafa Britz produziria o filme. 

Chegou ao que intenciono: Ivanoy Couto e Myrian Rios foram tristemente ignoradas do processo, não que buscassem aplausos, mas senti que elas não receberam como deveriam o “Deus lhe pague”, pois foi da iniciativa desses corações que esse lindo filme chegou até nós. É isso, gratidão também é justiça que se faz, aprendi com uma amiga.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Manet


Disse-me Manet quando terminou está obra por mim: 'O Sol realça a beleza das flores , como o sorriso clareia a face da vida. '.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Realmente, não entendo. 


Hoje é o dia Nacional da Consciência Negra e não entendo porque os conservadores espíritas, principalmente dos órgãos oficiais, não fazem uma referência sequer, nada. Não há uma nota, artigo nos jornais, nota pública...nada. Realmente não entendo, já que o Espiritismo defende a igualdade entre todos. Lamentável. É muito fechado em si mesmo. O próprio encontro que farão no próximo final de semana traz o tema Vivendo o Evangelho em Comunidade Espírita. Poxa, por que não vivendo na sociedade? Por que apenas uma reflexão na comunidade espírita? Ainda existem centros que não aceitam comunicação de espíritos que foram escravos, índios...Puro preconceito. Não quer dizer que venham aceitar tudo que eles façam, mas dar oportunidade até para ouvir seus relatos, seus desabafos...Zumbi há dezenas de anos é o protetor , guardião da Cidade da Luz. Viva esses espíritos de luta, aguerridos e cheios de sabedoria.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Armadilhas do Facebook
(Coluna Opinião - Jornal A Tarde - 12.11.2014)

O axioma grego "homem, conhece a ti mesmo" sempre foi muito citado e proclamado. Ele se encontrava inscrito no templo de Apolo, em Delfos, e há séculos nos faz alarde acerca da necessidade de devassarmos o nosso íntimo, como forma de realmente conhecermos os nossos motes para ações, palavras, sentimentos. Lamentavelmente, no entanto, estamos a cada dia menos entusiasmados para essa incursão, uma vez que se torna, em diversos momentos, muito desconfortável revirarmos o nosso emaranhado do que somos, confrontando a realidade de nossos sentir e agir.

Nesse caminho, para melhor encontrarmos razões para muitas das agressividades que vemos nas redes sociais, um estudo realizado pela Universidade Humboldt em conjunto com a Universidade Técnica de Darmstadt, ambas na Alemanha, encontrou uma inveja desenfreada nos usuários do Facebook, a maior rede social do mundo.

Os pesquisadores descobriram que uma em cada cinco pessoas ouvidas na pesquisa aponta o Facebook como a origem de sua experiência de inveja. Um bilhão de pessoas, um sétimo da população mundial, participam dessa rede social. As pessoas, segundo a pesquisa, passam mais tempo verificando o que é postado por  amigos que parecem ser mais felizes e aproveitam melhor a vida. Assim, surge o sentimento de vazio, de solidão: a não felicidade, pois os amigos passam em imagens, fotos a ideia de serem mais de bem com a vida.

A tudo isso se funda uma realidade na onda do virtual que não guarda necessariamente – todos sabem, mas não consideram – ressonância coma verdade factual. A vida passa a ser ditada de forma mais intensa pela ilusão do que se diz, posta-se sem qualquer critério de análise, de observação e ou mesmo checagem. 

Aqui falo de tudo tomado como verdade, em um risco sem tamanho de sermos engolidos por mentiras, calúnias ou a própria inveja que, muitas vezes, tenta desconstruir pessoas, ações, simplesmente por não caber (ao invejoso) a percepção do brilho de sucesso do outro.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Servidores Públicos
(Coluna Opinião - Jornal A Tarde - 29.10.2014)

Ontem foi “comemorado” o dia do servidor público, em verdade deveria ser um dia de luto, posto que estamos vendo os direitos dos servidores federais, dos quais sou um dos seus membros, serem assacados ano após ano, sem que haja um real interesse por parte da maioria dos gestores-administradores a esta classe que carrega injustamente a pecha de encostada, que ganha muito e pouco trabalha, mas que em verdade é que faz toda a máquina do governo caminhar.

Vivemos épocas atuais, e aqui falo pela experiência que vejo na Justiça do Trabalho, onde sirvo há 33 anos, onde se criam metas a serem batidas, cumpridas, em total desequilíbrio com o humanamente possível, onde dezenas de servidores têm se afastado com estresse, doenças ocupacionais de toda ordem e, aqui e ali, licenças por uso de ansiolíticos.Tudo por estatística. Vejo, nessa Justiça a que sirvo, colegas trabalhando penosamente para uma prestação jurisdicional honrada, sem escândalos, mas que não se vê reconhecida como deveria. Como se não bastasse, estamos vendo, nestes dias, os dirigentes dos tribunais, por toda parte, baixando portarias, normas, apenando os servidores no seu direito de greve, constitucional, ainda que não regulamentado, seguramente, não por nossa culpa, servidores, mas pela leniente condução das demandas funcionais pela maior Corte do país, associada ao Legislativo nacional, mero protocolador dos ditames do Executivo.

Sei que há magistrados em todos os escalões que aderem às reivindicações dos servidores, mas ainda sentimos necessidade de um posicionamento mais peremptório. De outro lado, a nossa representação sindical precisa ser mais aguerrida e não viver querendo um trampolim para a política partidária. O interesse coletivo precisa estar à frente do pessoal e de grupos.


Assim, não há grandes motivos para comemorações, mas de respeito, sim, e falo do Judiciário Federal, pois a ele sirvo e testemunho a honradez dos seus servidores e a sua dedicação à causa pública.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014


Estava demorando

Pois é, já começaram a pôr amarras no papa Francisco... esses conservadores se vê em todos os lugares... como eu os conheço do Espiritismo. Lamentável, mas...

"Vaticano fez mudanças cruciais na tradução em inglês de passagens sobre homossexualidade em um documento polarizador nesta quinta-feira, amenizando uma mensagem que vinha sendo vista como uma grande mudança de tom em relação aos gays.

As alterações sinalizaram as tensões vivas entre bispos conservadores e progressistas na assembleia a portas fechadas, conhecida como sínodo, na qual se debatem temas voltados à família como homossexualidade, divórcio e controle de natalidade.

Entre as mudanças estão a substituição da frase "acolher estas pessoas (homossexuais)" pela nova versão "prover para estas pessoas".

A palavra "fraternal" em uma passagem que clamava a necessidade de “um espaço fraternal” para homossexuais na Igreja foi apagada da tradução do italiano para o inglês sem explicação.

O documento provisório emitido na segunda-feira, meio termo do sínodo de duas semanas com cerca de 200 bispos de todo o mundo, foi saudado por grupos de direitos gays e progressistas da Igreja como um avanço, mas causou o repúdio dos conservadores. (Notícias Terra)".