quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Mortes daqui
(Coluna Opinião - Jornal A Tarde - 21.01.2015)

Sou contra a pena de morte, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, das Nações Unidas, de 1948, distingue a vida humana como o bem de maior valor absoluto. O brasileiro Marco Archer caiu sob a pena capital, consternando a muitos. Reflitamos, no entanto, assegurando que erro algum se justifica pagar com a vida,  mas naquele país muçulmano tráfico de drogas, sim. É lei, é sério, paga-se mesmo. A vida é composta de incessantes ciclos de causa e efeito. Archer, lamentavelmente, buscou esse caminho, como bem fica claro no que disse ao repórter Renan Antunes de Oliveira, que o entrevistou em 2005, durante quatro dias, numa prisão na Indonésia. Alguns ditos de Archer: “Sou traficante, traficante e traficante, só traficante”. “Nunca tive um emprego diferente na vida”. Marco sabia as regras do país, quando foi preso no aeroporto da capital Jacarta, em 2003, com 13,4 quilos de cocaína escondidos em sua asa delta. Ele morou na ilha indonésia de Bali por 15 anos, falava bem a língua bahasa e já havia traficado para lá outras vezes.

A paradisíaca Bali é um dos principais mercados de cocaína do mundo. O quilo da coca nos países produtores, como Peru e Bolívia, custa US$ 1.000. No Brasil, cerca de 5.000. Em Bali, a mesma coca é negociada a preços que variam entre US$ 20.000 e 90.000, dependendo da oferta. Em temporada de escassez, por conta da prisão de vários traficantes, o quilo chega a US$ 300.000. A cocaína que ele levava tinha sido comprada em Iquitos, no Peru, por US$ 8 mil o quilo, bancada por um traficante norte-americano, com quem dividiria os lucros se a operação tivesse dado certo: a cotação da época da mercadoria em Bali era de US$ 3,5 milhões.

Sou humanista, acredito no arrependimento e no valor da vida, mas não posso deixar de registrar que brasileiros inocentes, que buscam apenas viver dignamente estão morrendo, em portas de hospitais sem atendimento médico, dentre outros. Indignemo-nos também com esta pena de morte.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Aos que acreditam
(Publicado na rede social Facebook - 16.01.2015)

Ainda sobre a possível projeção de Renoir na Cidade da Luz, na última terça. Li por aqui algumas coisas que podem estar contaminadas com antipatias pessoais, ainda que o post seja direcionado aos que acreditam e estão por aqui porque confiam no meu trabalho, na minha seriedade. Peguei esta imagem que foi trabalhada por Jota Mendes em um programa de computador, vejamos:

1 - repare que não tem como ser sombra de arbusto, pois parece que ele está dentro de um cubo, uma caixa, que delimita a imagem, como se um prisma o projetasse e contivesse a imagem. Como se fosse uma foto 3x4. Seria algo semelhante aos nossos projetores?

2 - observe que no canto do rosto, à direita, em baixo, tem uma sombra, aí sim de um arbusto, verifique que é mais escura, densa e sobrepõe à figura, bem como a sombra de um ramo que se projeta sobre o lado esquerdo do rosto, logo abaixo do olho, e ao lado também. Nunca vi sombra sobre sombra delimitadas, definidas, pois as sombras se fundem.

3 - verifique que o arbusto que tem é arredondado, denso, mas a imagem é suave, bem contornada nas expressões faciais.

Compare com a foto de Renoir em vida. 

Pois é, não sou de acreditar em tudo, como vocês sabem, mas por que a imagem formada é de um espírito conhecido e não de outra coisa qualquer? Mas as questões espirituais, as tênues nuances são assim...dúvidas, descréditos, caso contrário todo mundo creria na realidade da imortalidade. Agora que é Renoir, é (rs), eu creio e pronto (rs).

 



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Aos que acreditam ou não
(Publicado na rede social Facebook - 12.01.2015)

Os médicos-cientistas holandeses Titus Rivas, Anny Adrien e Rudolf Smit publicaram estudo Wat een stervend brein niet kan”, que na tradução literal seria entitulado “O que um cérebro morrendo é capaz de fazer”. Nele, explicam o caso e concluem que diante das evidências é impossível negar a ausência do paciente de seu corpo durante a morte clínica. Foram mais de 70 casos estudados com pessoas que relataram experiências durante o período em que estiveram clinicamente mortas. O caso mais impressionante relatado pela pesquisa é de um paciente clinicamente morto por 20 minutos durante uma cirurgia cardíaca. Se sua volta à vida surpreendeu médicos, estes ficaram ainda mais perplexos quando ele descreveu que “saiu de seu corpo” e soube indicar precisamente a posição em que cada um dos médicos durante o período em que estava morto, além de fatos relevantes que aconteceram na sala.

Aí está, mas é claro os resistentes, os de má vontade vão continuar, é direito, dizendo que, que, que....a esses só esperando a morte chegar (rs).

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Violência e liberdade
(Coluna Opinião - Jornal A Tarde - 07.01.2015)

Gostaria neste primeiro artigo de 2015 escrever sobre a beleza de um recomeço, mas como não dar atenção a Cauã, um menino de quatro anos que foi baleado pelo namorado da mãe e morreu. Comentei com uma amiga o horror da notícia, e ela simplesmente pontuou: mas foi acidente, o cara queria matar a mãe. Não entendi, foi por acidente, era a mãe que teria que morrer.

Realmente a violência está destruindo, pela frequência de sua sanha, a reação de indignação diante do que é completamente anticivilidade. Pus-me a pensar que estamos de fato nos acostumando à violência, todos nós, fazendo um ranking do que é aceitável ou não. Ora, violência alguma é aceitável, pois ela, sob qualquer manifestação, será sempre uma derrota da convivência sadia em uma sociedade. A violência tem destruído a nossa liberdade. Você que me lê, caro leitor, não é mais livre. Pense nas suas restrições de vida causadas pela violência.

A violência está se estratificando de todas as formas no nosso país, não se trata mais apenas de eventos trágicos, mortes brutais com sangue no asfalto, não. Sofremos violências diárias que já se incorporaram à nossa aceitação e não nos damos conta: 

São cirurgias desnecessárias para colocação de próteses e stents por médicos mafiosos; são as violências das regulações do sistema de saúde que geram mortes; é violência o desrespeito que essas multinacionais de energia, telefonia fixa, celular perpetraram contra os consumidores brasileiros, sem que nada, ou muito pouco seja feito, pois os apenamentos judiciários são insignificantes; é a violência dos senhores do poder e seus escândalos de corrupção, sem falar nos que deliberam, determinam e o povo vai sofrendo as suas consequências. 

Se para toda ação existe uma reação, que toda a nossa reação seja de ética, de moralidade, de paz, em exemplo e contraponto a tudo isso que está aí. Assim, nada de omissão, acomodação e, pior, entrar no jogo, na lei de Murici. Tomemos cuidado para não irmos para a mesma vala.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Claro: é Natal
(Coluna Opinião - Jornal A Tarde - 24.12.2014)

Estava em um culto inter-religioso no Tribunal de Contas do Estado, em ação digna de ser seguida por gestores públicos,quando o meu amigo Inaldo Paixão, presidente da Casa, exortou de forma verdadeira a todos ao amor. Momentos antes, amigos celebrantes fizeram alusão ao meu último artigo aqui neste prestigioso espaço, agregando compreensão de que realmente as repartições públicas não podem ser púlpito de proselitismo de uma única religião. A prefeitura de Salvador inclusive também falha neste sentido. Pessoas de má-fé, poucas, se posicionaram que eu era contra missa, mas os de sentimentos cristãos ponderaram pela sensatez.

Mas voltando ao conselheiro Inaldo, naquele momento me perguntei: O que se pode falar sobre o Natal sem ser piegas, nem se apoiar em demagogia religiosa? Condenar o consumismo, mas que só a boca fala, porquanto o bolso se abre? Não. Faz parte. Censurar as mesas lautas, as casas enfeitadas? Penso que não, é tradição. Já sei, falar do autoperdão, do autoamor.

O perdão que oferecemos a nós mesmos, para que não fiquemos presos a um momento de insensatez, que pode ter levado a vida a um turbilhão de consequências horríveis. Assumi,sim, as consequências, mas seguir adiante na tentativa de ser melhor. O autoamor, que nada tem a ver com egoísmo, é proposta de Cristo "amar o próximo como a si mesmo", ou seja, a condição de amar o outro é de se amar, buscando seus sonhos, realizações, compreendendo que pessoa ou coisa alguma faz alguém feliz. A felicidade é obra pessoal, sobre você, pois só assim será real.

Assim, penso que Natal é tudo isto: presente, confraternização, ceias, mas também compreensão de começar a fazer o seu melhor, para ser melhor. Jesus nos deu o ideal, mas vamos no possível das nossas condições humanas.

Feliz Natal às vezes me parece apenas pró-forma, sem conteúdo, mas se ele implica em ser mais humano, justo, reconhecendo sua humanidade e limitações, mas sem perder a meta de possível paz... Desejo a todos.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Gestores Públicos
(Coluna Opinião - Jornal A Tarde - 10.12.2014)

Mais um ano chega ao final, as comemorações surgem por todos os lados. As confraternizações espocam em empresas privadas e públicas, muitas, nem sempre, com real sentido, mas isto é uma outra questão. Quero, no entanto, aqui, falar da laicidade do Brasil, onde desde o advento da Constituição Federal de 1988 não há mais uma religião oficial do Estado. Causa-me, consequentemente, estranheza e espanto ao ver por aí afora órgãos públicos encerrando suas atividades, ou se confraternizando com os servidores em efemérides de final de ano com uma missa. 

Nada contra a missa em si, inclusive estou me programando para assistir a uma ministrada pelo meu pessoal amigo padre Luís Simões, da Vitória. Reporto-me às realizadas em órgãos públicos. Por obviedade, se é da União, e esta é laica, nada mais natural que o culto religioso seja geral, não o específico do seu gestor. Entendo que seja no mínimo uma velada imposição de crença, sem qualquer sentido cidadão.

Não me refiro de forma exclusiva à missa, repito, mas a qualquer manifestação religiosa que não seja ecumênica ou interreligiosa, como preferir o leitor, como forma de respeito a todas as crenças existentes no corpo funcional da empresa, como o próprio nome remete: pública. A confraternização cristã, entendo, nasce desde esse momento de escolha, em respeito pela diversidade.

Geralmente, os servidores são conduzidos a acompanhar as missas, mesmo não sendo católicos, em razão do receio de serem mal vistos, principalmente se ocupam cargos de confiança. Se não um culto comum, que se faça uma semana de confraternização, envolvendo todos os segmentos, cada um em seu dia, permitindo, assim, inclusive, que os ateus também se sintam à vontade para não ir à celebração alguma. Isso é democrático.

Vemos dessa forma que os gestores públicos ainda não entenderam que deve haver restrições às suas ações na condução do órgão, considerando que as empresas não são suas, particulares. Celebremos, ora, o plural.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Sobre o filme Irmã Dulce
(Coluna Opinião - Jornal A Tarde - 26.11.2014)

Irmã Dulce, um espírito de tamanha envergadura moral, crescido no amor e na caridade, merece todas homenagens que lhe fizerem, não para o seu  engrandecimento pessoal, ela nunca disso precisou, mas para nós, que vivemos dias desesperançosos diante da aridez dos corações humanos. Assim, exultei ao saber da concretização desse sonho, pois fui acompanhando essa materialização. Infelizmente, por outro lado, não vi nos que conduziram o projeto o tão marcante "Deus lhe pague", do nosso Anjo Bom da Bahia, a duas sonhadoras desse tento. Digo isso porque acompanhei toda a saga para a realização desse projeto: 

Tudo se iniciou quando minha amiga Ivanoy Couto, devota da Irmã, me relatou uma visão que teve com a santa, durante enfermidade de sua genitora, o que a despertou para escrever a respeito da freira. Pronto, as raízes de um ideal despontam. 

Ivanoy sonha, literalmente, assistindo ao filme. Seus textos chegam às mãos de Cláudio Pereira, sócio de Walter Salles, produtor de filmes. 

Em julho passado, Ivanoy, estimulada pela inspiração e tocada pelas forças superiores do universo, escreve a Roberto Carlos – este mesmo, o cantor. Uma prima, moradora do mesmo prédio, faz com que o rei receba a missiva. E o universo continua coma conspiração: dias depois Myrian Rios vai à casa de sua prima e toma conhecimento da carta e começa também a trabalhar pelo projeto.Myrian entra em contato com Ivanoy e ambas se reúnem com o produtor Bruno Wainer, diretor da Downtown Filmes. Ivanoy faz a ponte entre a presidente das Obras Sociais Irmã Dulce, Maria Rita, e Myrian Rios. Por fim, tudo fluiu, acertaram que a Iafa Britz produziria o filme. 

Chegou ao que intenciono: Ivanoy Couto e Myrian Rios foram tristemente ignoradas do processo, não que buscassem aplausos, mas senti que elas não receberam como deveriam o “Deus lhe pague”, pois foi da iniciativa desses corações que esse lindo filme chegou até nós. É isso, gratidão também é justiça que se faz, aprendi com uma amiga.